Nasci na terra que não para
Vivo na terra que para pra respirar
Nasci na terra de homens fortes, que andam freneticamente.
vivo na terra dos cabras machos, que andam tranquilamente.
Nasci na terra da garoa
Vivo no espelho do semi-árido
Nasci na terra que come bolinho de chuva, pizza, cueca-virada, vaca atolada e no domingo, macarronada ou feijoada.
Vivo na terra da rapadura, da pamonha, do munguzá, do bode guizado, da carne de gado assada com macaxeira, carne de sol com feijão de corda e no domingo, aquele arroz mexido com galinha de capoeira.
Nasci na terra que os alguns homens usam terno pra trabalhar
Vivo na terra que alguns homens vestem gibão de couro para seu dia de labuta.
Nasci em São Paulo e vivo em Pernambuco...
Amo esses estados...
Pena que tem as "Mayaras Petrusis" da vida que mancham nossa convivência...
Eu tenho medo...
"Mensagens vindas do íntimo, memórias de felicidades e loucura: não há como amar sem dor!!!"
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Acima de tudo... Mulher
"Mulher brasileira em primeiro lugar"
É assim o refrão daquela música que escutava no toca-fitas do fusca azul de painho quando era criança, lembro-me que passava tardes a fio brincando na garagem, sozinha ou acompanhada por minhas melhores amigas de infância, cada uma com letra e adjetivo: K, a madura; E, a sorridente; M, a pobre-coitada; A P, a impaciente; L, a que tinha Síndrome de mentir para estar acima dos outros...
O fato é: crescemos e cada uma tomou sua direção: professora de educação infantil, vendedora de loja, faxineira, vendedora de móveis, advogada... Eu, além de quase professora de ciências exatas e biológicas, tornei jornalista. Todas casaram muito cedo, eu abdiquei do trocar das alianças antes dos 18 anos para "casar" com as letras. Admiro ver as crianças brincando, filhos de minhas amigas, sinto o meu íntimo mexer, num pensar ligeiro vizualizava Laura Sophia, emprestando as bonecas para as amigas assim como eu fazia, com a mesma simplicidade brejeira que construiu meu caráter... coisa e tal...
Bom, voltando a minha outra paixão: foi nas páginas de livros que observava atentamente as mulheres do Brasil, as que contribuiram com a construção de um país mais digno e maior do que sua grandeza continental.
Tantas mulheres, tantas formas de pensar e agir, mas o mesmo objetivo: de ver uma nação, a mãe gentil ter melhores condições de vida para os filhos deste solo. Vários nomes, muitos deles acompanhados pelo nome da mãe do Cristo: A Maria Quitéria, a Anita Garibaldi, a Princesa Isabel, a Olga Benário, a Sarah Kubischeck, a Zilda Arns... são exemplos de mulheres à frente de seu tempo e que deram sua contribuição para o povo brasileiro, fizeram a história acontecer.
Mas o maior fato ocorreu ontem: o Brasil decide de forma soberana que quem governará essa imensidão verde-amarela será uma mulher, não é Maria, Joana. O nome dela é Dilma Vana Rousseff Linhares, uma Joana D'arc da Ditadura Militar, que não fugiu a luta como seu rival na disputa presidencial, pelo contrário, participou da luta armada, foi presa, torturada...
Quem observa aquela fortaleza de 62 anos, tão forte, tão segura não imagina que tenha passado pela brutalidade da época que o Brasil ficara cego, surdo e mudo. Também não imagina que essa mulher durona, opiniosa, seja uma doce mãe que curte sua neta de forma doce, revelando a nossa característica peculiar a nós: o de Amar incondicionalmente.
O pai dos pobres do Século XXI deixa o Brasil nas mãos de uma mulher, a mãe do PAC, a mãe do pré-sal... Que seja nossa protetora cívica, para que possamos ver o nosso Brasil seguir mudando. Lula deixa saudades, de quem está concluindo a faculdade porque ele abriu as portas da universidade para a pobreza graças ao PROUNI.
Sim, aquele senhor que muitas vezes presidia as reuniões da CUT que meu pai ia, que era o motivo das críticas que recebíamos, que se tornou o presidente do Brasil com altos índices de popularidade, que fez o Sol brilhar para o nordestino e pobre que não tinha vez e voz no mundo neoliberal...
Não pude deixar de votar, meu sangue falou mais alto. Vi meu pai na minha frente, com as mãos cheias de graxa da metalúrgica, o cartão da CUT dele que ainda guardo com tanto carinho está na minha carteira, votei 13 e confirmei. Votei na continuação do meu bom velhinho que, agora deixa tudo nas mãos da mulher...
Acima de tudo...
Mulher...
É assim o refrão daquela música que escutava no toca-fitas do fusca azul de painho quando era criança, lembro-me que passava tardes a fio brincando na garagem, sozinha ou acompanhada por minhas melhores amigas de infância, cada uma com letra e adjetivo: K, a madura; E, a sorridente; M, a pobre-coitada; A P, a impaciente; L, a que tinha Síndrome de mentir para estar acima dos outros...
O fato é: crescemos e cada uma tomou sua direção: professora de educação infantil, vendedora de loja, faxineira, vendedora de móveis, advogada... Eu, além de quase professora de ciências exatas e biológicas, tornei jornalista. Todas casaram muito cedo, eu abdiquei do trocar das alianças antes dos 18 anos para "casar" com as letras. Admiro ver as crianças brincando, filhos de minhas amigas, sinto o meu íntimo mexer, num pensar ligeiro vizualizava Laura Sophia, emprestando as bonecas para as amigas assim como eu fazia, com a mesma simplicidade brejeira que construiu meu caráter... coisa e tal...
Bom, voltando a minha outra paixão: foi nas páginas de livros que observava atentamente as mulheres do Brasil, as que contribuiram com a construção de um país mais digno e maior do que sua grandeza continental.
Tantas mulheres, tantas formas de pensar e agir, mas o mesmo objetivo: de ver uma nação, a mãe gentil ter melhores condições de vida para os filhos deste solo. Vários nomes, muitos deles acompanhados pelo nome da mãe do Cristo: A Maria Quitéria, a Anita Garibaldi, a Princesa Isabel, a Olga Benário, a Sarah Kubischeck, a Zilda Arns... são exemplos de mulheres à frente de seu tempo e que deram sua contribuição para o povo brasileiro, fizeram a história acontecer.
Mas o maior fato ocorreu ontem: o Brasil decide de forma soberana que quem governará essa imensidão verde-amarela será uma mulher, não é Maria, Joana. O nome dela é Dilma Vana Rousseff Linhares, uma Joana D'arc da Ditadura Militar, que não fugiu a luta como seu rival na disputa presidencial, pelo contrário, participou da luta armada, foi presa, torturada...
Quem observa aquela fortaleza de 62 anos, tão forte, tão segura não imagina que tenha passado pela brutalidade da época que o Brasil ficara cego, surdo e mudo. Também não imagina que essa mulher durona, opiniosa, seja uma doce mãe que curte sua neta de forma doce, revelando a nossa característica peculiar a nós: o de Amar incondicionalmente.
O pai dos pobres do Século XXI deixa o Brasil nas mãos de uma mulher, a mãe do PAC, a mãe do pré-sal... Que seja nossa protetora cívica, para que possamos ver o nosso Brasil seguir mudando. Lula deixa saudades, de quem está concluindo a faculdade porque ele abriu as portas da universidade para a pobreza graças ao PROUNI.
Sim, aquele senhor que muitas vezes presidia as reuniões da CUT que meu pai ia, que era o motivo das críticas que recebíamos, que se tornou o presidente do Brasil com altos índices de popularidade, que fez o Sol brilhar para o nordestino e pobre que não tinha vez e voz no mundo neoliberal...
Não pude deixar de votar, meu sangue falou mais alto. Vi meu pai na minha frente, com as mãos cheias de graxa da metalúrgica, o cartão da CUT dele que ainda guardo com tanto carinho está na minha carteira, votei 13 e confirmei. Votei na continuação do meu bom velhinho que, agora deixa tudo nas mãos da mulher...
Acima de tudo...
Mulher...
sábado, 30 de outubro de 2010
Retrato falado
Procura-se uma menina-mulher com as seguintes características:

- Cabelos longos e negros, tão belos como o mais puro ébano, finos como a mais pura seda.
- Pele morena semi-árida, mas macia como as nuvens que cobrem um dia tranquilo.
- Olhos castanhos, um topázio reluzente, lapidado, encravado no marfim branco dos olhos. Sobrancelhas delineadas, levemente angulares, como uma boneca de porcelana, cílios longos e negros colocados com uma precisão fina nos olhos marcados de negro, tipicamente árabe.
- Maçãs do rosto tão róseas, tão cheias de saúde e serenidade.
- Boca rosada, delineada, mais perfeita do que um camafeu.
- Jeito sensual de mulher, mas trazendo a inocência de criança...
Segue a foto:

Quem encontrar, favor abracá-la como ninguém a abraçou,
Beije como ninguém a beijou
Ame como ninguém amou...
....
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Religare: os caminhos, as verdades, as vidas- Introdução
"Eu sou o caminho, a verdade e a vida"
Essas são as palavras atribuídas a Jesus Cristo no livro de João, no capítulo 14 e versículo 6.
Seguindo tais palavras que foi criado o Cristianismo, religião monoteísta centrada na vida e ensinamentos do Bom Mestre.
há 3 vertentes principais: o Catolicismo Romano, o Catolicismo Ortodoxo e o Protestantismo. Nesse último, divide-se em 3 ramificações e, dentro de cada uma, vários raminhos. Segue-se a divisão e alguns exemplos:
Tradicionais (Batista, Presbiteriana, etc)
Pentecostais (Assembléia de Deus, Deus é Amor, Congregação Cristã no Brasil, etc)
Neo-pentecostais (Universal, Internacional, Mundial, etc)
Dentro desse conjunto de temas, procurarei falar das minhas experiências, pincelando momentos históricos e análises antropológicas e sociais, sobretudo no Catolicismo Romano onde permaneci até os 12 anos, e no protestantismo que pratiquei ativa e porque não dizer fanaticamente até 2006.
Digo fanatismo pois, em 2007 comecei a buscar soluções para resolver meus questionamentos. Consegui compreender com a visão intelectual que a maior das verdades é que não existe verdades absolutas, logo, que há uma satanização de coisas pequenas e que, talvez por não saberem responder aos seus fiéis questões relacionadas a sexualidade humana, costumes, modernização da sociedade, etc... acabam depositando toda a culpabilidade em Satanás.
Descobri que, para muitos evangélicos, o avanço nos estudos corresponde a "afastar da verdade", "ficar confuso na fé". Sinto-me como Eva no paraíso, quando comeu o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, que abriu os olhos e descobriu que estava nua. As leituras me fizeram abrir os olhos, a me fazer descobrir o quanto estava nua em termos de intelecto e cultura.
Longe de mim fazer quaisquer críticas a quem é adepto fiel, seja qual a religião ou demonimação. Ainda frequento a Assembléia de Deus, mas mantenho o meu pensamento firme, pois hoje eu tenho propriedades para argumentar sobre todos os temas, todas as nuances que pintam no meio evangélico.
Espero que, com as minhas explanações possa ao menos, despertar algum interesse na maior lei que está escrita na Bíblia: o do livre-arbitrio.
Essas são as palavras atribuídas a Jesus Cristo no livro de João, no capítulo 14 e versículo 6.
Seguindo tais palavras que foi criado o Cristianismo, religião monoteísta centrada na vida e ensinamentos do Bom Mestre.
há 3 vertentes principais: o Catolicismo Romano, o Catolicismo Ortodoxo e o Protestantismo. Nesse último, divide-se em 3 ramificações e, dentro de cada uma, vários raminhos. Segue-se a divisão e alguns exemplos:
Tradicionais (Batista, Presbiteriana, etc)
Pentecostais (Assembléia de Deus, Deus é Amor, Congregação Cristã no Brasil, etc)
Neo-pentecostais (Universal, Internacional, Mundial, etc)
Dentro desse conjunto de temas, procurarei falar das minhas experiências, pincelando momentos históricos e análises antropológicas e sociais, sobretudo no Catolicismo Romano onde permaneci até os 12 anos, e no protestantismo que pratiquei ativa e porque não dizer fanaticamente até 2006.
Digo fanatismo pois, em 2007 comecei a buscar soluções para resolver meus questionamentos. Consegui compreender com a visão intelectual que a maior das verdades é que não existe verdades absolutas, logo, que há uma satanização de coisas pequenas e que, talvez por não saberem responder aos seus fiéis questões relacionadas a sexualidade humana, costumes, modernização da sociedade, etc... acabam depositando toda a culpabilidade em Satanás.
Descobri que, para muitos evangélicos, o avanço nos estudos corresponde a "afastar da verdade", "ficar confuso na fé". Sinto-me como Eva no paraíso, quando comeu o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, que abriu os olhos e descobriu que estava nua. As leituras me fizeram abrir os olhos, a me fazer descobrir o quanto estava nua em termos de intelecto e cultura.
Longe de mim fazer quaisquer críticas a quem é adepto fiel, seja qual a religião ou demonimação. Ainda frequento a Assembléia de Deus, mas mantenho o meu pensamento firme, pois hoje eu tenho propriedades para argumentar sobre todos os temas, todas as nuances que pintam no meio evangélico.
Espero que, com as minhas explanações possa ao menos, despertar algum interesse na maior lei que está escrita na Bíblia: o do livre-arbitrio.
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Conto Vadio
Acordei na madrugada sufocada, a noite gélida que fazia em Tabira contrastava com a minha pele quente, suada. Garganta seca, implorava por algo que matasse a sede, algo mais poderoso do que a água, que pelo menos surtisse aquele efeito que a cerveja da propaganda comercial tanto revela.
Casa escura. Luzes apagadas. Sono profundo.
Trêmula, fui ao banheiro. Abri o chuveiro, deixei aquela água abraçar meu corpo, esfriar minha temperatura. Pela cerâmica branca que revestia o banheiro, refletia a minha beleza escondida, que num ápice do complexo narcisista de ser adorava até meus íntimos defeitos, passei a visualizar meu corpo e colocar virtudes naquilo que detestara: Meus pés tão odiados quando acho AQUELE scarpin e que não encontro meu número, mas que fica tão lindo com uma sandália sensualmente aberta deixando o moreno da minha pele se misturar com o branco do esmalte que tonaliza as unhas; Minhas pernas tão humanas de celulite e alguns vasinhos hereditários, mas que se endeusam quando ponho uma saia leve e que faz poesia quando desfilo faceira pelas ruas de Tabira, pernas de Cláudia Raia (será que ela tem celulite?); Minha barriguinha que nem as maiores abdominais, nem as melhores dietas conseguem vencê-la, mas que mesmo assim tem seu charme natural, até porque não tenho a mínima pretensão de ser fisiculturista...
Peguei o sabonete de rosas e alcaçuz e comecei a vestir minha pele com a espuma cremosa que fizera. Meus seios desnudos, médios, arrebitados ficaram levementemente brancos, minhas aréolas róseas ficaram rijas no toque da água. Que sensação gostosa. Vesti-me novamente do transparente da água, envolvi-me com óleo de amêndoas perfumado. Sequei-me e fui para o meu quarto.
Ao chegar, tive um misto de susto e felicidade: era meu anjo, com um robe de seda vermelho, que estava sentado na minha cama, me esperando para velar a minha noite. Sento-me ao seu lado e tocando suas mãos macias, poéticas, perguntando se era um sonho. Não tive respostas: ele vagarosamente segurou meus cabelos negros pela nuca e me beijou lascivamente. Quis relutar, pois meu quarto não tem porta e... se alguém acordasse? porém, o desejo se tornara maior que o receio. Que lábios macios, que boca deliciosa, que saliva viciante.
Pôs-me em pé e me livrou da toalha que me vestia. Como Vênus de Milo, passou a me venerar, a analisar meu corpo, a envolver seus dedos longos o meu corpo, num movimento semelhante ao do oleiro moldando seu melhor vaso. Encostara levemente seus lábios em minha nuca, o que me provocou arrepios repletos de ânsia, de vontade de estar cada vez mais perto.
Virei-me, o despi e o abracei. Sua pele tão alva e angelical tão próxima da minha, tão morena, tão sertaneja: era o encontro das imperfeições que se tornaram perfeitas. Nossos lábios se reencontraram, com tanta sede, ora furiosa, ora calmaria. Meus seios inocentes pertos de seu tórax levemente peludo, imponente, quente e nossos braços nos abraçavam um ao outro. De repente, parou; olhou fixamente para meus olhos e, erguendo os braços, me pôs em seu colo, olhando-me, vendo-me, devorando-me com sua iris castanha.
Com o cuidado tal qual de quem carrega um fino cristal, deitou-me na cama e olhando fixamente para meus olhos, deslizava suavemente para a fenda escorregadia entre minhas pernas. Lentamente, sentia-me mulher. Estrelas mudavam de lugar no silêncio da noite. A luta recomeçava, e deliciosamente imaginava a cena "sine qua non" da Carne:
"... Depois foi um tempestuar infreme, temulento, de carícias ferozes, em que os corpos de aconchegavam, se fundiam, se unificavam; em que a carne entrava pela carne, em que frêmito respondia a frêmito, beijo a beijo, dentada a dentada (...) escapavam-se pequenos gritos sufocados, ganidos de gozo, por entre os estos curtos das respirações cansadas, ofegantes..."
Depois, o silêncio. Depois de ter visto cometas, a penumbra. Meu anjo sorrindo, suado, ofegante, beijou-me demoradamente.
Acordei na manhã procurando por ele. O sol quente aos poucos esquentava Tabira.
Foi um sonho.
Que pena que foi apenas um sonho que, um dia, há de concretizar...
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA: RIBEIRO, Júlio. A Carne. São Paulo. Martin Claret. 2001
Casa escura. Luzes apagadas. Sono profundo.
Trêmula, fui ao banheiro. Abri o chuveiro, deixei aquela água abraçar meu corpo, esfriar minha temperatura. Pela cerâmica branca que revestia o banheiro, refletia a minha beleza escondida, que num ápice do complexo narcisista de ser adorava até meus íntimos defeitos, passei a visualizar meu corpo e colocar virtudes naquilo que detestara: Meus pés tão odiados quando acho AQUELE scarpin e que não encontro meu número, mas que fica tão lindo com uma sandália sensualmente aberta deixando o moreno da minha pele se misturar com o branco do esmalte que tonaliza as unhas; Minhas pernas tão humanas de celulite e alguns vasinhos hereditários, mas que se endeusam quando ponho uma saia leve e que faz poesia quando desfilo faceira pelas ruas de Tabira, pernas de Cláudia Raia (será que ela tem celulite?); Minha barriguinha que nem as maiores abdominais, nem as melhores dietas conseguem vencê-la, mas que mesmo assim tem seu charme natural, até porque não tenho a mínima pretensão de ser fisiculturista...
Peguei o sabonete de rosas e alcaçuz e comecei a vestir minha pele com a espuma cremosa que fizera. Meus seios desnudos, médios, arrebitados ficaram levementemente brancos, minhas aréolas róseas ficaram rijas no toque da água. Que sensação gostosa. Vesti-me novamente do transparente da água, envolvi-me com óleo de amêndoas perfumado. Sequei-me e fui para o meu quarto.
Ao chegar, tive um misto de susto e felicidade: era meu anjo, com um robe de seda vermelho, que estava sentado na minha cama, me esperando para velar a minha noite. Sento-me ao seu lado e tocando suas mãos macias, poéticas, perguntando se era um sonho. Não tive respostas: ele vagarosamente segurou meus cabelos negros pela nuca e me beijou lascivamente. Quis relutar, pois meu quarto não tem porta e... se alguém acordasse? porém, o desejo se tornara maior que o receio. Que lábios macios, que boca deliciosa, que saliva viciante.
Pôs-me em pé e me livrou da toalha que me vestia. Como Vênus de Milo, passou a me venerar, a analisar meu corpo, a envolver seus dedos longos o meu corpo, num movimento semelhante ao do oleiro moldando seu melhor vaso. Encostara levemente seus lábios em minha nuca, o que me provocou arrepios repletos de ânsia, de vontade de estar cada vez mais perto.
Virei-me, o despi e o abracei. Sua pele tão alva e angelical tão próxima da minha, tão morena, tão sertaneja: era o encontro das imperfeições que se tornaram perfeitas. Nossos lábios se reencontraram, com tanta sede, ora furiosa, ora calmaria. Meus seios inocentes pertos de seu tórax levemente peludo, imponente, quente e nossos braços nos abraçavam um ao outro. De repente, parou; olhou fixamente para meus olhos e, erguendo os braços, me pôs em seu colo, olhando-me, vendo-me, devorando-me com sua iris castanha.
Com o cuidado tal qual de quem carrega um fino cristal, deitou-me na cama e olhando fixamente para meus olhos, deslizava suavemente para a fenda escorregadia entre minhas pernas. Lentamente, sentia-me mulher. Estrelas mudavam de lugar no silêncio da noite. A luta recomeçava, e deliciosamente imaginava a cena "sine qua non" da Carne:
"... Depois foi um tempestuar infreme, temulento, de carícias ferozes, em que os corpos de aconchegavam, se fundiam, se unificavam; em que a carne entrava pela carne, em que frêmito respondia a frêmito, beijo a beijo, dentada a dentada (...) escapavam-se pequenos gritos sufocados, ganidos de gozo, por entre os estos curtos das respirações cansadas, ofegantes..."
Depois, o silêncio. Depois de ter visto cometas, a penumbra. Meu anjo sorrindo, suado, ofegante, beijou-me demoradamente.
Acordei na manhã procurando por ele. O sol quente aos poucos esquentava Tabira.
Foi um sonho.
Que pena que foi apenas um sonho que, um dia, há de concretizar...
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA: RIBEIRO, Júlio. A Carne. São Paulo. Martin Claret. 2001
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Poesia universitária
Na viagem de terça-feira para Patos, dei o seguinte mote:
"A VIDA VIROU TROCADO
PRA PAGAR COISAS BANAIS"
Na medida que forem me entregando os versos, postarei aqui!
Começando pelo meu amigo Clécio Rimas, estudante do 4º período de jornalismo:
"O tal do capitalismo
Tudo torna em propaganda
e o ser humano desanda
em plena beira do abismo
Na droga, no alcoolismo
desmatando os matagais
traz guerra ao invés de paz
e eu fico decepcionado
A VIDA VIROU TROCADO
PRA PAGAR COISAS BANAIS"
quando terminar as postagens eu coloco a minha contribuição
"A VIDA VIROU TROCADO
PRA PAGAR COISAS BANAIS"
Na medida que forem me entregando os versos, postarei aqui!
Começando pelo meu amigo Clécio Rimas, estudante do 4º período de jornalismo:
"O tal do capitalismo
Tudo torna em propaganda
e o ser humano desanda
em plena beira do abismo
Na droga, no alcoolismo
desmatando os matagais
traz guerra ao invés de paz
e eu fico decepcionado
A VIDA VIROU TROCADO
PRA PAGAR COISAS BANAIS"
quando terminar as postagens eu coloco a minha contribuição
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Sinfonia para a morte

Morrer: A morte (do latim morte), o óbito (do latim obitus) são termos que podem referir-se tanto ao términio da vida de um organismo tanto ao estado desse organismo após o evento...
(portal wikipédia.com)
Sangue pra todo lado, choro, desespero. Único filho de uma senhora, várias irmãs. Mulheres transvestidas do negro cor de luto.
Estava indo para sua casa, localizada na zona rural da cidade, em cima de sua carroça de bois, veículo de tração animal comumente usado por estas bandas, e em cima meio quilo de feijão para alimentar a família por mais uma semana. De repente, três disparos, três sons agudos de balas que atravessaram seu crânio certeiramente. Sentado na carroça, ao poucos definhava, os bois pararam, como que sentindo a dor e a agonia daquele homem. Veio um cara, chamou-o pelo nome e este entregou o seu espírito ao Ser Supremo com um mero suspiro, se entregando a uma suposta sensação de paz e alívio que só os doentes terminais buscam.
Ruídos da sirene da polícia chegam ao hospital, que já está repletos de curiosos loucos para assistir a mais uma peça que a vida dirigiu, o último ato daquela morte e vida severina, na qual o que restava era um pouco de terra bem medida para a pouca carne que sobrava daquele indivíduo.
Sangue pra todo lado... o agudo das balas, a tragédia na vida das pessoas...
Mas ainda não acabou...
Enquanto assistira a sinfonia da morte no hospital, outra sinfonia se preparava na boca da tarde. Era um senhor, depressivo, angustiado, já se sentindo morto pela vida e pelas suas adversidades antes mesmo do final que a todos espera. Não quis dar trabalho para a morte, que já estava ocupada com toda aquela situação da manhã, resolveu fazer tudo sozinho, mas diferente da última tentativa: Não mais iria rasgar a garganta e deixar brotar na pele alva o vermelho do sangue. Não iria mais deixar que se permitisse um festival de escarlate que só o sangue derramado na terra pode fazer. Iria deixar o seu sangue derramar sim, mas por dentro, silenciosamente, calmo como a sinfonia de um violino, suave como uma flauta. Tomou veneno e esperou, quando socorreram, já estava em coma, não dava mais tempo para nada. Ganhou sua guerra contra a vida e, triunfante, conquistava os lauréis de seu prêmio tão esperado para aliviar sua dor interna, aquela que muitos humanos não entendiam. A morte reinava soberana, fielmente soberana, e mais um rosário de choros e lamentações cheios de porquês tomava conta daquele hospital, mais uma vez os curiosos iriam prestigiar, gratuitamente, a trágédia alheia que a vida lhes proporcionara mais uma vez...
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