terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Auto da Tempestade do Amor

Fazer amor é coisa séria demais...
Não basta um corpo em outro corpo, misturados nun desejo insosso, desses que dão feito fome trivial, nascida da gula descuidada,aplacada, sem zelo, sem composturas, sem respeito, atendendo exclusivamente a voracidade.
fazer amor é percorrer as trilhas da alma, uma alma tateando a outra alma, desvendando véus, descobrindo profundezas, penetrando nos escondidos, sem pressa, antes com delicadeza... porque alma tem tessitura de cristal, deve ser tocada nas levezas, apalpada com amaciamentos, até que o corpo descubra casa uma das suas funções.
Quando a descoberta acontece é que o ato de amor começa. As mãos deslizam sobre as curvas, como se estivesse tocando nuvens, da boca vai saindo acordes, retirando gostos, provando os sabores, bebendo a seiva que jorra das nascentes escorrendo em dons, é como diz o Roberto, "O Concavo e o Convexo" amorosa conjunção.
Fazer amor é ressureição...
... é nascer de novo, no abraço...
Que aperta sem sufocamento, no beijo que cala a sede gritante na escalada dos degraus celestiais que levam ao gozo.
Vale Chorar, gemer, gritar, porque aí já se chegou ao paraíso, e qualquer som há de sair melódico e afinado, seja grave, agudo, pianinho... Hé de ser sempre o acorde faltante quando amantes iniciam o milagre do encontro.
Corpos se afastam, almas matizaram... Faz-se o êxtase!!!
É o instante da paz, é a escritura da serenidade...
E os amantes em assunção pisam eternidades!

Um comentário:

Carlinhos Silva disse...

Muito profundo, e poético, pena que nem todos pensam dessa forma, e fazem amor não por amor e sim por prazer ou esporte.

http://carlinhosilva.blogspot.com/